Aula aberta no Sinpro-Rio mostra história sindical no país

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No dia 15 de maio, o curso "Trabalho e trabalhadores na história do Brasil", promovido pelo Sinpro-Rio, realizou uma aula aberta que contou com a participaç?o do professor e pesquisador John French (da Duke University); e do professor Alexandre Fortes, teve como tema "O nascimento da liderança de Lula no ABC paulista: como os metalúrgicos mudaram o mundo, ou, ao menos, o Brasil".

A aula teve início com o discurso do presidente do Sinpro-Rio, Wanderley Quêdo, que falou sobre as tentativas do empresariado em tornar a educaç?o um negócio. Ele criticou os seminários do Programa de Promoç?o da Reforma Educativa na América Latina (Preal), em que os educadores s?o adestrados, tirando o conteúdo lúdico da docência.

John French, que estuda o movimento sindical no Brasil, afirmou que o problema com as minorias n?o é um atual, mas que tem, pelo menos, 510 anos. Segundo ele, n?o há registros dos trabalhadores manuais e dos escravos, que permaneceram no anonimato, o que gera um conflito entre a história escrita e a que realmente aconteceu.

French comparou dados do início do século XX (em que 90% dos adultos do país eram analfabetos) e de 1989 (quando 1/3 dessas pessoas ainda n?o sabiam ler). O professor afirmou que esse é um obstáculo para a construç?o de uma sociedade moderna e que é preciso haver mudanças para que ocorram transformaç?es na sociedade. O trabalho teria uma conotaç?o negativa, o que provocaria a degradaç?o do homem.

As pesquisas de French apontaram que os estudos empíricos no país sobre as classes trabalhadoras só teriam tido início entre 1957 e 1963. Os jovens da classe média começaram a se interessar pelas quest?es do trabalho manual no Brasil. Após o golpe militar, o processo de aproximaç?o entre essas duas classes tornou-se mais radicalizada. A repress?o foi mais forte com os sindicatos e camponeses.

Após 1970, a realizaç?o da revoluç?o era a ideologia em voga nas associaç?es e sindicatos. No ano de 1979, ocorreu a grande greve geral do país, que contou com a ades?o de cerca de 3 milh?es de operários. Os intelectuais de S?o Paulo estavam indo para a regi?o do ABC, onde havia uma sequência de lideranças políticas. Esse foi o início da ascens?o de Lula, como afirmou John French. Entretanto, o atual presidente só passou a se interessar pelo movimento sindical a partir da tortura de seu irm?o, Frei Chico.

A partir dos anos 80, houve uma série de estudos sobre a classe operária. Foi quando ocorreram mudanças em que as ades?es da classe deixaram de ser inconscientes para serem assumidas. Os operários saíram da posiç?o de espectadores para agirem e participarem das quest?es que diziam respeito a seus interesses.

Ao término da palestra abriu-se para o debate, em que foram abordados temas como as lideranças no ABC, a importância dos estudantes e da existência de um partido político junto ao movimento dos trabalhadores.