A realidade da categoria é discutida no terceiro dia do seminário "Condições de Trabalho e Saúde do Professor"

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O último dia do seminário "Condições de Trabalho e Saúde do Professor", organizado pelo Sinpro-Rio no auditório do MEC, debateu os temas "A Saúde do Professor: os Principais Problemas e as Estratégias de Luta" com Giovana Manfredi, jornalista pós-graduada em Jornalismo Literário e consultora da novela "Caminho das Índias" na composição da personagem da professora Berê; Sandra Korman, doutora em Psicologia Social pela UFRJ e coordenadora de Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio; e Jorge Augusto Esposito de Miranda, advogado e presidente da Comissão de Direito do Consumidor da OAB-RJ.

Mediada pela diretora de Educação e Cultura do Sinpro-Rio, Maria do Céu Carvalho, a mesa teve início com Giovana Manfredi falando sobre o papel social das novelas da autora Glória Perez, que tem como assunto principal da novela atual a esquizofrenia. Segundo a consultora, a ideia do núcleo em que a personagem Berê está inserido era mostrar os pitboys e suas famílias, mas as mazelas da professora acabaram chamando mais atenção do público. Giovana encerrou dizendo que ao final da novela a personagem será afastada por problemas de saúde, colocando-se à disposição para escutar a categoria sobre o futuro da professora Berê.

"Os principais problemas de saúde dos professores" foi o tema abordado por Sandra Korman, que falou sobre o cotidiano e as dificuldades da categoria, a mobilização dos professores e da sociedade, e como um projeto de vida profissional pode ajudar na autoestima.

Para ela, os professores respondem a muitas demandas: dos alunos, dos pais, da coordenação; têm salário incompatíveis com sua formação e jornadas elevadas de trabalho; convivem com a questão da violência e o desrespeito em sala de aula; e têm dificuldades em realizar um aprimoramento profissional.

- A Síndrome de Burnout é uma resposta a um estado de pressão muito grande, quando a pessoa não tem seus recursos individuais para enfrentá-los, ela acaba apresentando sinais de esgotamento e, por não saber identificá-los, acaba desenvolvendo a síndrome - disse.

Ela lembrou que uma reflexão sobre a vida profissional e a construção e a realização de um projeto voltado para essa área podem ajudar a enfrentar o problema.

- Quando a saúde do professor está ameaça é a educação que adoece e quando a educação que adoece é o futuro que está ameaçado - encerrou Sandra.

Jorge Esposito falou sobre as "Questões Jurídicas e Carreira Docente: Assédios, Agressões, Etc". Segundo ele, o desrespeito com o cidadão é um desrespeito ao homem público; que a violência que o professor enfrenta não é só do seu empregador mas também dos alunos e dos pais dos alunos. Para Esposito "não se pode tratar a educação como uma caso comum de polícia".

Em seguida, o evento foi aberto para o debate, que abordou as questões da violência na escola, a vivência dos professores demostrada na novela, a importância de espaços de debates e reflexões, a valorização e o respeito aos docentes.