Educaç?o a Distância é tema de seminário no Sinpro-Rio

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No dia 21 de maio, a Confederaç?o Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee) realizou o 1º Seminário sobre Educaç?o a Distância (EAD) na sede do Sinpro-Rio, em parceria com a Federaç?o Estadual dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Feteerj). O evento contou com a participaç?o dos professores Aparecida Tiradentes (UFRJ e Fiocruz), Luís Manoel Figueiredo (diretor do Núcleo de Educaç?o a Distância da UFF); e Magna Corrêa (diretora do Sinpro-Rio).

O seminário teve início com a fala do professor Francilio Paes Leme, primeiro vice-presidente do Sinpro-Rio, que justificou a ausência dos professores José dos Santos Rodrigues (Unicamp e UFF) e de Hélio Chaves Filho (diretor de Regulaç?o e Supervis?o em EAD do MEC), mas que enviaram seus representantes, que compuseram as mesas de discuss?es.

Após a abertura, a professora Aparecida Tiradentes tomou a palavra e fez o discurso sobre as bases filosóficas do Ensino a Distância. Ela deu início falando sobre a história dessa forma de educar, que teve início nos anos 60 e foi retomada atualmente, com o advento dos recursos eletrônicos e através da Portaria 4.024 do MEC, que permite que 20% das aulas podem ser a distância. A docente criticou a mercantilizaç?o do ensino e a substituiç?o do trabalho vivo pelo morto.

Aparecida mostrou, através dos textos de Skinner, psicólogo americano, a ideologia neotecnicista que está por trás da educaç?o a distância. Ela afirmou que quem dita o teor político tem sido o mercado, já que as novas tecnologias n?o s?o capazes de exigir nada por si. A educaç?o estaria deixando de ser criativa para se tornar empirista e mecanicista, com o objetivo de aumentar a velocidade e a eficácia do método, que tende para a massificaç?o dos estudantes.

Em seguida à exposiç?o da educadora, a palestra foi aberta para debates. Por se tratar de um tema polêmico, diversas pessoas se manifestaram contrárias à EAD. Representantes da Contee, diretores do Sinpro-Rio e de outras cidades, assim como manifestantes de outras organizaç?es ligadas à educaç?o, tiraram suas dúvidas sobre o método, e também reafirmaram o caráter elitista e pouco didático desta forma de ensino.

O segundo palestrante foi o professor Luís Manoel Figueiredo, que dissertou sobre o Ensino a Distância com o viés público, afirmando que é possível criar um sistema de qualidade. Ele falou sobre o método implantado em diversas faculdades federais e estaduais em todo o Brasil e fez um breve histórico de seu crescimento no país. De acordo com o educador, o sistema tem funcionado de maneira eficiente, já que existem polos de apoio presencial com tutores, além de materiais didáticos e ambientes práticos, o que n?o deixaria o aluno distante da universidade.

O debate foi iniciado logo após a exposiç?o do professor da UFF. A primeira pergunta foi feita pelo presidente do Sinpro-Rio, Wanderley Quêdo, sobre os tutores e quais os benefícios que eles possuem, de acordo com a legislaç?o. Ele também questionou qual órg?o esses profissionais devem acionar para garantirem seus direitos trabalhistas. Luís Manoel, ent?o, explicou sobre a situaç?o, afirmando que os tutores s?o convocados por editais e que o salário é de R$ 765, uma realidade longe de estar perfeita, como ele ressaltou. Em seguida, a professora Sônia Regina, que trabalha com EAD, questionou os motivos de pessoas sem graduaç?o poderem ser docentes. Ela também afirmou que n?o se pode formar pessoas a distância, que é preciso capacitá-las.

A terceira mesa da conferência ocorreu à tarde, com a palestra da diretora do Sinpro-Rio, Magna Corrêa. Ela agradeceu inicialmente à Contee, aos demais Sindicatos dos Professores presentes e à Feteerj. Sua reflex?o foi sobre o caráter mercantil da EAD e do envolvimento de órg?os financeiros na educaç?o, que tem sido tratada como um serviço, e n?o mais um direito que assiste aos cidad?os. Ela criticou a atuaç?o agressiva do capital financeiro e a precarizaç?o das aç?es de trabalho.

Ela utilizou os exemplos das universidades Estácio de Sá e da Kroton Educacional S/A, que possuem investimento de bancos. Magna mostrou o quanto a educaç?o e os professores têm sofrido perdas significativas com esse modelo implementado, no qual o mercado dita as regras de como vai funcionar o setor de ensino.

O seminário terminou com o debate e as inferências de professores de diversos setores, que também compartilham da mesma vis?o de Magna Corrêa. Eles questionaram o caráter com que vem sendo utilizado na educaç?o a distância, que deveria servir para a redemocratizaç?o do acesso à informaç?o. Todos os professores se mostraram dispostos a continuar na luta pela implementaç?o de uma educaç?o mais eficiente e didática.

Assista aqui o vídeo do seminário, feito pela TV CRC, um convênio entre o Conselho Regional de Contabilidade do Rio de Janeiro e a AD5 Agência Digital.