Fórum América debate o Brasil no Mundo

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Dando continuidade ao Fórum América, projeto que teve início em 2009 e já realizou quatro ediç?es, a Escola do Professor recebeu, no dia 26 de março, no Sede do Sinpro-Rio, o primeiro encontro do semestre. Com o tema "Brasil: O país que temos e o que queremos", os palestrantes Theotônio dos Santos; Carlos Henrique Cardim; e Emir Sader debateram sobre "O Brasil no mundo: uma nova liderança? Política externa para quê?"

O embaixador Carlos Henrique Cardim, doutor em Sociologia pela USP destacou que o grande diferencial do Brasil atualmente nas políticas externas é a procura por uma autonomia nas reflex?es sobre as quest?es mundiais, como bem afirmou o ministro das Relaç?es Exteriores, Celso Amorim: "Nós queremos pensar com a nossa própria cabeça". Cardim lembrou que, com o pré-sal, fatalmente o Brasil será incluído na Organizaç?o dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), o que desenvolverá e fará com que o país cresça ainda mais e ganhe projeç?o mundial. Contudo, o embaixador alertou para uma possível arrogância nacional e disse que "o poder bruto n?o leva ao poder da influência". E encerrou: "Brasil deve ter coragem para pensar diferente, ser criativo autonomamente e ser coerente com seus pensamentos. Ou inovamos ou nos equivocamos", citando Rui Barbosa.

Para o economista e cientista político Theotônio dos Santos - um dos formuladores da Teoria da Dependência e dos principais expoentes da Teoria do Sistema Mundo - a presença do Exército Brasileiro e a Força de Paz no Haiti devem ser vistas com muito orgulho pelos brasileiros. Segundo o professor, a maioria acha que o país está se metendo onde n?o devia. "Eu só sou humano quando me comprometo com a humanidade. N?o é preciso ser rico para ser solidário. Através dessas aç?es, o Brasil está avançando para a importância mundial, com uma base sólida".

Emir Sader, professor doutor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), coordenador do Laboratório de Políticas Públicas e secretário-geral do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso), destacou que a atual política externa do Brasil significa uma reinserç?o do país do mundo e, pela primeira vez fará a diferença na disputa eleitoral deste ano. Para o professor, o Brasil reagiu bem à crise mundial devido à diversificaç?o do comércio internacional, a intensificaç?o do comércio intrarregional (Venezuela, Argentina, Paraguai e Uruguai), além de um desenvolvimento do mercado interno de consumo popular. "Política externa é um motivo de orgulho hoje no Brasil", concluiu.

Ao final, abriu-se para um debate, muito produtivo e participativo, em que foram abordados temas como a convivência internacional, o déficit de especialistas na América Latina, a ditadura da mídia privada, o Ir? e o perfil dos pré-candidatos a presidência Dilma e Serra.

O próximo encontro do fórum será em Campo Grande, dia 5 de maio, às 19h30, abordará o tema "Desenvolvimento econômico, política financeira e trabalho no Brasil" com palestrante Alexandre Fortes, doutor em História pela Unicamp, professor de História Contemporânea na Universidade Rural.